sexta-feira, 7 de março de 2014

Enfrente os obstáculos do caminho para viver mais feliz

Os obstáculos são uma oportunidade de crescimento e podem trazer ganhos inestimáveis. Mas é preciso enfrentar um por um para ter uma vida mais feliz

É engraçado: as histórias de grandes conquistas, superações e feitos heroicos às vezes nos oprimem, em vez de nos estimular. Isso porque, lá no fundo, desconfiamos que somos incapazes de realizar coisas difíceis. Por achar que somos muito mais limitados do que realmente somos, e também por certo comodismo, abdicamos de usar recursos ainda não experimentados para enfrentar cara a cara as dificuldades e os obstáculos.


neurolinguística, que estuda as associações entre a linguagem e o funcionamento cerebral, arrisca uma boa explicação para isso. "Experimente dizer: 'Eu não quero pensar num limão, nem nos seus gomos cheios de sumo, nem no seu gosto azedinho na minha boca'. Tudo o que você vai pensar é justamente num limão: sua boca vai encher de água como se estivesse diante dele. O cérebro não reconhece o 'não', as imagens são muito mais fortes do que a negação", diz Anderson Andrade, especialista em Programação Neurolinguística (PNL).



O mesmo acontece com relação às dificuldades diárias e ao popular medo da morte. "O pensamento gera hábitos, que promovem atitudes, que provocam ações, que determinam acontecimentos", assevera o especialista. Pode-se dizer que a nossa realidade é resultado dos pensamentos dominantes da nossa mente, assim como nossas ações e reações dependem da nossa maneira de ver o mundo.



Forma-se, então, uma cadeia interligada de pensamento-ação-acontecimento. É por isso que, quanto mais rezamos, mais assombração aparece: se temos medo dela, ela está presente em nosso pensamento, gerando nossas ações e promovendo acontecimentos relacionados ao nosso temor. Por isso, se temos pavor das adversidades, se não as enfrentamos como algo normal e natural da vida, elas não vão sumir - pelo contrário.



Para Anderson, o melhor a fazer é sempre imaginar que temos uma vida tranquila e feliz. Assim, quando os obstáculos realmente aparecerem, podemos ser capazes de olhar para eles com um espírito sereno e encará-los como eventualidades que fazem parte da vida.



Tempestades



Vamos reconhecer que, de vez em quando, o tempo fecha mesmo. O consultor Paul G. Stoltz, um especialista em, acredite, adversidades, usa como instrumento de análise a sigla Crad - iniciais das palavras controle, responsabilização, alcance e duração.



Trocando em miúdos, ele sugere:

  1.  Diante de uma dificuldade, a gente se faça a seguinte pergunta: Até que ponto tenho controle sobre essa situação? 
  2. Em segundo lugar, aconselha a definir sua responsabilidade com relação a ela - quanto mais se sentir responsável, mais estará empenhado na sua solução. 
  3. Depois, vem a grande pergunta: qual o alcance do que pretendo fazer e como posso administrar, ou solucionar, essa dificuldade? 
  4. Em último lugar, é bom considerar a duração dessa adversidade. Assim, delimitamos o problema por certo período, justamente para que não se estenda demais.


As dificuldades podem funcionar como verdadeiros trampolins. Tanto que vários executivos e funcionários de empresas as convocam para dar o famoso “salto de qualidade”, expressão que já é corrente. Paul gosta de citar um exemplo bem simples: o de uma secretária que sofria com os longos relatórios que tinha de digitar em pouco tempo, pois catava milho nas teclinhas, embora em grande velocidade. Para transpor isso, a secretária decidiu enfrentar outro obstáculo: fazer um curso de digitação em sua exígua hora de almoço. No começo, tudo parecia um sacrifício. Mas, saber que esse desafio seria apenas por pouco tempo, facilitou bastante seu empenho. Ao enfrentar voluntariamente uma dificuldade, e semear por conta própria essa tempestade passageira, a secretária conseguiu solucionar um enorme aborrecimento.



Eu sou o máximo



Nessa história, porém, tem uma casca de banana no meio do caminho. Sabe o Hércules, aquele fortão da mitologia grega que realizou 12 trabalhos dificílimos encomendados pelas divindades do Olimpo? Pois é, ele morreu, como você e eu vamos morrer algum dia.



O heroísmo dele não garantiu sua imortalidade em vida. Considerado o herói dos heróis, Hércules só ganhou a imortalidade depois de morto. Isso tem um significado profundo: a jornada do herói, aquele atendimento ao chamado que nos joga na vida com todos os seus desafios, é bonita e certamente faz parte da nossa existência. Mas não se deve fazer isso esperando reconhecimento, prêmios e aplausos.



Há também o risco de se comprazer no sofrimento. "Um homem é capaz de abandonar tudo na vida. Menos seu sofrimento", já dizia o mestre armênio Georges Gurdjieff, que conhecia a alma humana como poucos. Parece bizarro ouvir que muitos de nós não largariam o sofrimento por nada nesse mundo. Mas há uma razão especial para isso - e não tem nada a ver com masoquismo. O ego gosta de se apoderar das experiências para se enaltecer.



Somos capazes de fazer sacrifícios tremendos para nos sentir mais importantes e provocar a admiração de nossos semelhantes. O enfrentamento das adversidades, muitas vezes, serve apenas para alimentar nossa vaidade e nossa "imagem". Você talvez nunca tenha pensado que poderia escorregar nessa casca de banana, não é? Então, tomados esses cuidados, podemos enfrentar as adversidades de uma maneira mais tranquila, por um ideal ou por acreditar que elas simplesmente fazem parte da vida. 


Perder o medo e relaxar é um ótimo começo.


Livro para saber mais
As Vantagens da Adversidade - Paul G. Stoltz e Erik Weiheimmayer, Martins Fontes

by Vida Simples



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