sábado, 25 de janeiro de 2014

Os fabricantes do biscoito da sorte chinês no Brasil são...JAPONESES

Hakuna Matata (uma expressão usada no filme Rei Leão) faz 2 milhões de biscoitos da sorte todos os meses

Quatro descendentes de japoneses enxergaram uma oportunidade de ganhar dinheiro com um produto típico chinês: o biscoito da sorte, cujo principal atrativo é o papelzinho com uma mensagem inspiradora e seis números que motivam o consumidor a tentar a sorte na Mega-Sena. Iniciada em 1996, hoje a empresa Hakuna Matata domina o mercado nacional e produz 2 milhões de biscoitos por mês.
 A empresa tem como sócios os amigos Douglas Kitagawa, Sahib Tsuzaki, Renato Watanabe e Angelo Miyake. A ideia de iniciar a produção surgiu quando outro amigo da turma criou um delivery de comida chinesa que ficaria conhecido em todo o País como China in Box. Robinson Shiba, idealizador da rede, gostou da proposta e passou a comprar a produção dos biscoitos, quando eles ainda eram feitos de forma caseira, para distribuir com suas entregas.
Com o crescimento do China in Box e a venda para outros restaurantes, a produção passou a ser automatizada com máquinas importadas dos Estados Unidos. Segundo Kitagawa, o que interessa mesmo para o consumidor são as mensagens e números impressos no bilhete. Mas existem os ‘desligados’. “Antigamente era mais frequente, mas tem gente que ainda come o papel sem saber.”

A rotina do empreendimento, aliás, rende casos curiosos. No início, por exemplo, as frases eram traduzidas de mensagens americanas. Um dos bilhetes trazia a mesma frase impressa nas notas de dólar – ‘Em Deus nós confiamos’ – e ganhou um complemento: ‘todos os outros têm de pagar à vista’. Mas a sentença desagradou um consumidor, que mandou à empresa um e-mail reclamando que o negócio estava “usando o nome de Deus em vão”. 

Outro episódio ocorreu quando uma criança pegou o bilhete ‘Você receberá uma herança em breve’ e começou a chorar achando que os pais iriam morrer. Com o passar do tempo, e para evitar alguns problemas, os sócios começaram a recorrer a livros de mensagens e boa parte delas é retirada do I Ching, o oráculo chinês.

Mesmo assim, a empresa não teve como evitar uma coincidência. Em 2004, 15 pessoas do Nordeste acertaram os seis números do concurso 529 da Mega-Sena e a Caixa Econômica Federal relacionou os dígitos sorteados com os números dos biscoitos fabricados pelo dono de uma rede de restaurantes. Mesmo não sendo a fabricante do ‘biscoito premiado’, a Hakuna registrou alta nas vendas – na época, as lotéricas até criaram campanhas com o biscoito para aumentar as apostas.

Mas diante de tantos fatos curiosos e coincidências, o nome da empresa não poderia ser trivial. E de fato não é. Hakuna Matata significa “sem problemas” no idioma africano suáili e ganhou notoriedade com o filme de sucesso internacional Rei Leão. Por isso, de acordo com o negócio, até hoje tem gente que liga para a empresa e canta a música do desenho.

Um acerto
A escolha dos integrantes da sociedade. Antes de sócios, eles são amigos e priorizam uma boa convivência. Douglas e Renato se conhecem desde a época de escoteiros. Depois foi Angelo quem ficou amigo da dupla, o que causou a aproximação de Sahib, em seguida, para o círculo de amizade. 

Um erro
A atitude conservadora dos sócios no comando pode ser encarada como um erro pelos empresários mais agressivos. “Se nossa postura está certa ou errada? Não sei. Colocamos umas premissas desde o início do negócio que não desviamos. Poderíamos estar com uma empresa maior? Não sei. Mas temos uma atitude mais conservadora”, diz Douglas.

Uma dica
Quando Renato estava no Japão, seu pai foi conversar com Douglas porque estava preocupado com o que o filho iria fazer. Douglas disse que pretendia investir em uma fábrica de biscoitos da sorte e deixou o pai do amigo ainda mais preocupado. A dica do empresário é ter confiança no negócio por mais maluca que a ideia possa parecer. “O início foi difícil e a pessoa precisa ter coragem”, disse.

Estadão PME

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